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AT25 jul 2026 · 9 min de leitura

Registro de comportamento: como fazer de forma objetiva (método ABC, frequência, duração e latência)

Aprenda a registrar comportamento como AT: método ABC, frequência, duração e latência explicados com templates prontos, exemplos práticos e planilhas para copiar.

Registrar comportamento é uma das tarefas mais importantes — e mais mal compreendidas — do trabalho do Acompanhante Terapêutico. Um bom registro transforma "achismo" em dado, ajuda a equipe clínica a tomar decisões e mostra a evolução real da criança ao longo do tempo. Um registro ruim, ou a ausência dele, deixa todo mundo às cegas.

Neste guia você vai entender os quatro tipos de registro que todo AT precisa dominar (método ABC, frequência, duração e latência), quando usar cada um, e vai sair daqui com templates prontos para copiar e adaptar à sua realidade.

Por que registrar comportamento importa

O registro comportamental é a forma objetiva de descrever o que acontece antes, durante e depois de um comportamento. Ele serve para vários propósitos ao mesmo tempo.

  • Dá visibilidade à equipe clínica: o supervisor não está presente em todos os momentos, e o registro é a ponte entre o que você observa no dia a dia e as decisões terapêuticas.
  • Transforma percepção em dado: "ele fica agitado" é uma impressão; "teve 7 episódios de agitação entre 14h e 15h, todos após transições sem aviso" é um dado acionável.
  • Mostra evolução ao longo do tempo: comparar semanas e meses revela se a intervenção está funcionando.
  • Protege você e a criança: um registro bem feito documenta o que aconteceu e sustenta suas condutas.

Os quatro tipos de registro

A escolha do tipo de registro depende do comportamento que você está monitorando e do que a equipe clínica precisa saber. Veja cada um.

1. Método ABC (Antecedente, Comportamento, Consequência)

O método ABC é o registro mais completo. Para cada ocorrência você anota três coisas: o Antecedente (o que aconteceu imediatamente antes), o Comportamento (a descrição objetiva do que a criança fez) e a Consequência (o que aconteceu imediatamente depois).

Ele é ideal para entender a função de um comportamento — por que ele acontece. Ao juntar várias linhas de ABC, padrões começam a aparecer: talvez a birra sempre venha depois de uma instrução, ou a fuga sempre aconteça diante de uma tarefa difícil.

Antecedente: professor pediu para guardar o brinquedo. Comportamento: gritou e jogou o brinquedo no chão. Consequência: adulto retirou a tarefa e permitiu continuar brincando.

2. Registro de frequência

A frequência conta quantas vezes um comportamento acontece em um período determinado. É simples e poderoso: você só precisa de uma folha e um lápis para marcar cada ocorrência.

Use quando o comportamento é discreto, tem começo e fim claros e você quer saber se ele está aumentando ou diminuindo. Exemplos: número de vezes que a criança levanta da cadeira, número de solicitações espontâneas, número de episódios de agressão.

3. Registro de duração

A duração mede quanto tempo um comportamento dura. Você anota o horário de início e o horário de término de cada episódio.

Use quando o que importa não é quantas vezes o comportamento acontece, mas por quanto tempo ele se estende. Exemplos: duração de uma crise, tempo de engajamento em uma atividade, tempo de permanência sentado.

4. Registro de latência

A latência mede o tempo entre um estímulo (geralmente uma instrução) e o início da resposta. Você registra quando deu a instrução e quanto tempo a criança levou para começar a responder.

Use quando quer avaliar o seguimento de instruções: uma latência curta indica boa resposta a comandos; uma latência longa pode indicar dificuldade de compreensão, de preparação motora ou de engajamento.

Como escolher o tipo certo

A regra prática: comece perguntando o que a equipe clínica precisa saber. Cada pergunta aponta para um tipo de registro.

  • Por que o comportamento acontece? Use ABC.
  • Com que frequência acontece? Use frequência.
  • Por quanto tempo dura? Use duração.
  • Quanto tempo demora para responder a uma instrução? Use latência.

Não tente registrar tudo ao mesmo tempo. Escolha um ou dois comportamentos-alvo e um tipo de registro por vez. Registro em excesso vira registro que ninguém preenche.

Boas práticas para um registro que funciona

  • Registre na hora, não depois: a memória distorce rapidamente. Anote o mais próximo possível do momento em que o comportamento aconteceu.
  • Seja objetivo: descreva o comportamento observável, sem interpretar. "Chorou por 3 minutos" é melhor que "estava com raiva".
  • Use uma linguagem que a equipe entende: combine com o supervisor os termos e categorias que serão usados, para que os dados sejam comparáveis.
  • Mantenha a consistência: registre sempre da mesma forma, com os mesmos critérios, para que a comparação ao longo do tempo tenha sentido.
  • Combine com a supervisão: leve os registros para as reuniões clínicas. O dado só tem valor quando alimenta a análise e a tomada de decisão.

Templates prontos para copiar

Abaixo, um modelo simples para cada tipo de registro. Adapte os campos à sua realidade e ao que o supervisor pediu.

Template ABC

  • Data — dia da observação
  • Horário — quando ocorreu
  • Antecedente — o que aconteceu antes
  • Comportamento — descrição objetiva
  • Consequência — o que aconteceu depois

Template de frequência

  • Data — dia da observação
  • Comportamento-alvo — o que está sendo contado
  • Período — intervalo observado (ex: 14h às 15h)
  • Ocorrências — total de marcações no período

Template de duração

  • Data — dia da observação
  • Comportamento-alvo — o que está sendo cronometrado
  • Início do episódio — horário
  • Fim do episódio — horário
  • Duração total — soma do tempo

Template de latência

  • Data — dia da observação
  • Instrução dada — qual comando foi apresentado
  • Horário da instrução — quando foi dada
  • Início da resposta — quando começou a responder
  • Latência — tempo entre instrução e resposta

Perguntas frequentes

Preciso registrar em papel ou posso usar o celular?

Os dois funcionam. O papel é rápido e não depende de bateria; o celular ou um app facilita organizar e compartilhar depois. O importante é registrar na hora e manter a consistência. Ferramentas de registro digital, quando bem usadas, economizam tempo e reduzem o risco de perder dados.

E se eu esquecer de registrar no meio do caminho?

Anote assim que lembrar e sinalize que aquele dado é uma estimativa. É melhor um registro honesto e incompleto do que um dado inventado. Com o tempo, o hábito se firma e o esquecimento diminui.

Quanto tempo devo registrar antes de tirar conclusões?

Depende do comportamento e da orientação clínica, mas em geral algumas semanas de registro consistente já revelam padrões. A decisão sobre quando ajustar a intervenção é da equipe — seu papel é fornecer o dado limpo e regular.

Referências e leituras

  • Técnicas de registro comportamental: daniacf.com/blog/tecnicas-de-registro-comportamental
  • A eficiência do modelo ABC para o autismo: abamais.com/a-eficiencia-modelo-abc-para-o-autismo
  • Folha de registro ABA: amplimed.com.br/blog/folha-de-registro-aba
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