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Educação inclusiva13 mai 2026 · 14 min de leitura

PEI, PDI ou PAEE: qual é a diferença e quando usar cada um?

PEI, PDI e PAEE são três documentos diferentes — e a confusão entre eles tem custo real para o estudante. Entenda a diferença, a base legal de cada um e quando cada instrumento deve ser usado.

Se você já ficou sem saber se deve preencher um PEI, um PDI ou um PAEE para o seu aluno, saiba que essa dúvida é quase universal entre professores, coordenadores e ATs. E não é por falta de atenção: é porque esses três documentos realmente se parecem, os nomes se misturam nas redes, e até hoje falta uma regulamentação federal unificada para todos eles.

A diferença entre PEI, PDI e PAEE não é só de sigla — é de objetivo, de quem elabora, de onde o trabalho acontece e de qual base legal sustenta cada instrumento. Confundir os três pode significar deixar buracos enormes no suporte a um estudante que precisa de planejamento coordenado.

Neste artigo você vai encontrar a explicação de cada documento, a legislação que fundamenta cada um, uma tabela comparativa completa e orientações práticas para saber o que usar — e quando.

O que é o PAEE (Plano de Atendimento Educacional Especializado)

O PAEE — Plano de Atendimento Educacional Especializado — é o documento que sistematiza o trabalho realizado no AEE, o Atendimento Educacional Especializado, oferecido nas Salas de Recursos Multifuncionais (SRM) no contraturno escolar.

Até 2025, esse documento era chamado informalmente de "Plano de AEE" e não tinha uma regulamentação clara em lei. Isso mudou com o Decreto 12.686, publicado em 20 de outubro de 2025, que institui a Política Nacional de Educação Especial Inclusiva e formaliza o PAEE como instrumento oficial e obrigatório para todos os estudantes público-alvo da educação especial matriculados na rede regular.

O que o PAEE deve conter (conforme o Decreto 12.686/2025)

O Decreto estabelece que o PAEE deve ser precedido por um Estudo de Caso, composto por quatro etapas:

  • Identificação inicial das demandas individuais e barreiras
  • Análise das barreiras e do contexto escolar
  • Identificação das potencialidades e das demandas de apoio ao estudante
  • Definição de estratégias e recursos de acessibilidade para eliminação de barreiras

A partir do Estudo de Caso, o PAEE é elaborado orientando três frentes:

  • O trabalho no AEE (sala de recursos)
  • As estratégias na sala de aula comum
  • A articulação intersetorial com saúde, assistência social e outras áreas

Quem elabora o PAEE

O professor do AEE é o responsável pela elaboração, mas o Decreto 12.686/2025 é explícito: família e estudante devem participar ativamente de todo o processo. O documento também integra o Projeto Político-Pedagógico (PPP) da escola.

Foco principal do PAEE

O PAEE não adapta currículo — ele trabalha para eliminar as barreiras que impedem o estudante de acessar o mesmo currículo que todos. Isso inclui barreiras pedagógicas, comunicacionais, físicas e institucionais. O objetivo é desenvolver habilidades funcionais, cognitivas e comunicativas que permitam ao aluno participar da sala comum em igualdade de condições.

O que é o PEI (Plano Educacional Individualizado)

O PEI — Plano Educacional Individualizado — é um instrumento pedagógico elaborado de forma colaborativa para definir como o estudante vai aprender dentro da sala de aula comum. Ele parte das características, potencialidades e necessidades do aluno para organizar adaptações curriculares, metodologias diferenciadas e critérios alternativos de avaliação.

O PEI não é um documento do AEE — ele pertence à sala de aula regular.

Base legal do PEI no Brasil

Aqui está um ponto que gera muito mal-entendido: não existe uma lei federal única que institua o PEI para toda a educação especial brasileira. O que existe é:

  • O artigo 28 da Lei Brasileira de Inclusão (Lei 13.146/2015), que obriga as escolas a elaborar e executar plano de atendimento educacional individualizado — mas sem nomear o instrumento nem definir seu formato
  • O Parecer homologado pelo MEC sobre TEA, que menciona o PEI especificamente para estudantes autistas
  • O PL 5.093/2020, proposta ainda em tramitação no Congresso que buscava regulamentar o PEI nacionalmente
  • Normativas estaduais e municipais — cada rede define as próprias regras

Internacionalmente, o PEI tem origem nos anos 1970 nos Estados Unidos (IDEA — Individuals with Disabilities Education Act) e é instrumento oficial em países como França, Espanha e Portugal. No Brasil, sua adoção é ampla mas informal: aproximadamente 20 das 27 redes estaduais fazem menções formais ao PEI ou a documentos equivalentes, mas a sistematização varia muito.

Quem elabora o PEI

O PEI é um produto colaborativo. Participam: professor regente, coordenação pedagógica, professor do AEE e família. O estudante também deve participar, sempre que possível, especialmente nos ciclos mais avançados.

Foco principal do PEI

O PEI foca em garantir que o conteúdo curricular seja acessível e aprendido pelo estudante dentro da sala comum. Isso pode incluir objetivos de aprendizagem adaptados, recursos pedagógicos diferenciados, tempo adicional para atividades e formas alternativas de demonstrar conhecimento.

O que é o PDI (Plano de Desenvolvimento Individual)

O PDI — Plano de Desenvolvimento Individual — é o nome que muitas redes dão ao mesmo instrumento chamado de PEI em outros contextos. Na prática escolar brasileira, PEI e PDI são frequentemente sinônimos ou documentos quase idênticos, com a sigla variando conforme a rede de ensino.

Quando PDI e PEI são diferentes

Algumas redes e profissionais fazem uma distinção:

  • PDI teria foco mais amplo — desenvolvimento integral do estudante (aspectos cognitivos, socioemocionais, comunicativos, funcionais) — e poderia ser usado mesmo antes de um diagnóstico formal
  • PEI teria foco mais específico na aprendizagem curricular e seria vinculado ao diagnóstico ou à matrícula no AEE

Essa distinção, porém, não está padronizada em lei — cada rede pode usar as duas siglas com sentidos distintos ou equivalentes.

Base legal do PDI

Assim como o PEI, o PDI não tem regulamentação federal específica. Apoia-se no artigo 28 da LBI e em normativas estaduais ou municipais. Minas Gerais é o estado com uso mais formalizado do PDI, tornando-o obrigatório pela Secretaria Estadual de Educação (SEEMG).

Tabela comparativa: PEI vs PDI vs PAEE

  • Critério — PAEE — PEI — PDI
  • Nome completo — Plano de Atendimento Educacional Especializado — Plano Educacional Individualizado — Plano de Desenvolvimento Individual
  • Onde acontece — AEE — Sala de Recursos Multifuncionais (contraturno) — Sala de aula comum — Sala de aula comum
  • Foco principal — Eliminar barreiras de acesso ao currículo — Adaptar currículo e metodologia — Desenvolvimento integral (cognitivo, funcional, social)
  • Base legal federal — Decreto 12.686/2025 + LBI + Resolução CNE 4/2009 — Art. 28 LBI (sem regulamentação específica) — Art. 28 LBI (sem regulamentação específica)
  • Quem elabora — Professor do AEE + equipe + família — Professor regente + equipe pedagógica + AEE + família — Professor regente + equipe pedagógica + AT + família
  • Altera o currículo? — Não — trabalha acesso ao currículo comum — Sim — prevê adaptações curriculares — Sim — prevê adaptações e metas individuais
  • Obrigatoriedade — Federal (Decreto 12.686/2025) — Varia por rede (estadual/municipal) — Varia por rede (estadual/municipal)
  • Redes que adotam — Todas (obrigatório por decreto) — ~20 redes estaduais + muitas municipais — Uso forte em MG + redes municipais diversas
  • Periodicidade — Contínua — revisão conforme evolução — Anual (recomendado) ou por semestre — Anual ou por bimestre/trimestre
  • Relação com diagnóstico — Vinculado ao público-alvo da Ed. Especial (deficiência, TEA, AH/SD) — Vinculado ao diagnóstico (na maioria das redes) — Pode ser usado antes do diagnóstico formal

Como os três documentos se complementam

O erro mais comum nas escolas é tratar esses documentos como concorrentes — "usamos PEI, então não precisamos de PAEE". Na prática, os três podem e devem coexistir, cada um atuando em uma frente diferente do suporte ao estudante.

Pense assim:

PAEE trabalha no AEE para desenvolver as habilidades base do estudante — comunicação, atenção, autonomia, uso de recursos de acessibilidade. Ele elimina as barreiras que impedem a participação.

PEI/PDI trabalha na sala de aula comum para garantir que o conteúdo curricular seja aprendido. Ele usa as habilidades desenvolvidas no AEE e as aplica ao contexto de aprendizagem escolar.

``` PAEE (contraturno — AEE) ↓ desenvolve habilidades e elimina barreiras PEI/PDI (sala comum) ↓ aplica essas habilidades ao currículo Aprendizagem real acontece ```

Quando PAEE e PEI são elaborados de forma isolada, sem diálogo entre professor do AEE e professor regente, os planos se tornam documentos paralelos que não se conversam — e o aluno paga o preço.

O que o Decreto 12.686/2025 fez para resolver isso

O Decreto 12.686/2025 foi um avanço importante justamente porque torna obrigatória a articulação entre sala comum e AEE dentro do PAEE. O documento passa a orientar explicitamente as estratégias tanto do AEE quanto da sala de aula regular — criando uma ponte formal entre os dois contextos.

O decreto também exige que o PAEE registre ações de articulação intersetorial (saúde, assistência social), o que é fundamental para estudantes neurodivergentes que recebem suporte de múltiplos profissionais.

Por que cada rede usa um nome diferente

Uma pergunta que circula muito: "por que a escola do meu filho usa PDI, mas a da cidade vizinha usa PEI?"

A resposta é simples: porque não há padronização nacional para esses documentos além do PAEE. Cada rede estadual ou municipal define sua própria nomenclatura, formato e obrigatoriedade. Isso cria um mosaico de práticas onde:

  • São Paulo pode usar PEI
  • Minas Gerais usa PDI (obrigatório pela SEEMG)
  • Uma rede municipal do interior do Nordeste pode chamar o mesmo documento de "Plano Individualizado de Ensino" ou "Planejamento Adaptado"

O que importa não é a sigla — é que o documento exista, seja elaborado de forma colaborativa, seja atualizado regularmente e dialogue com o PAEE.

Quando cada documento deve ser usado

Use o PAEE quando:

  • O estudante está matriculado no AEE (Sala de Recursos Multifuncionais)
  • Precisa de suporte para eliminar barreiras de acesso ao currículo comum
  • O decreto 12.686/2025 obriga — para todo público-alvo da educação especial, é obrigatório

Use o PEI quando:

  • Precisa registrar formalmente as adaptações curriculares e metodológicas na sala comum
  • A rede em que trabalha adota o PEI como instrumento oficial
  • O estudante tem diagnóstico e está na classe regular

Use o PDI quando:

  • A rede usa PDI como nomenclatura padrão (verifique com sua secretaria)
  • Precisa de um documento mais amplo que abranja desenvolvimento integral (não só currículo)
  • O estudante ainda está em processo de avaliação diagnóstica mas já precisa de planejamento individualizado

Use os três juntos quando:

  • O estudante está matriculado no AEE e na sala comum (o que é a regra, não a exceção)
  • A equipe é multidisciplinar e cada espaço precisa de seu instrumento
  • A escola tem PPP que integra todos os planos individualizados

Como o Pertença facilita a elaboração desses documentos

Elaborar PAEE, PEI e PDI de forma correta e dentro da legislação é uma tarefa que exige tempo, conhecimento técnico e acesso a boas referências. O problema é que a maioria dos professores recebe essa responsabilidade sem formação específica e sem modelos adequados à sua rede.

O Pertença (pertenca.com?utm_source=blog&utm_medium=post&utm_campaign=pei-pdi-paee) é a plataforma do Mundo Colmeia com templates prontos de PDI, PEI e PAEE adaptados por região — considerando as especificidades de cada rede estadual e os requisitos do Decreto 12.686/2025.

Com o Pertença você não começa do zero: escolhe o template certo para a sua rede, personaliza para o perfil do estudante e tem um documento tecnicamente embasado em menos tempo. Os modelos foram desenvolvidos por Gilceia Alino (neuropsicóloga, CBTEP) e revisados conforme a legislação mais recente.

Acesse: pertenca.com (pertenca.com?utm_source=blog&utm_medium=post&utm_campaign=pei-pdi-paee)

Erros comuns na elaboração desses documentos

Antes de encerrar a explicação, vale nomear os erros que aparecem com mais frequência na prática:

1. Fazer PAEE e PEI separados sem comunicação entre os professores O professor do AEE elabora o PAEE e o professor regente elabora o PEI — sem trocar uma palavra. O resultado é um aluno com dois planos contraditórios.

2. Usar PEI como pretexto para reduzir currículo sem justificativa pedagógica PEI não é autorização para "dar menos conteúdo". Cada adaptação deve ter justificativa baseada na avaliação do estudante e objetivo de promover acesso — não de simplificar por comodidade.

3. Confundir PAEE com relatório do AT O PAEE é elaborado pelo professor do AEE. O AT tem papel de apoio e implementação, mas não é o responsável pelo documento.

4. Elaborar o documento uma vez por ano e esquecer Tanto o PAEE quanto o PEI/PDI devem ser instrumentos vivos, revisados conforme a evolução do estudante. O Decreto 12.686/2025 exige atualização contínua do PAEE.

5. Não envolver a família O decreto é claro: família e estudante devem participar. Um plano feito apenas pela escola, sem a perspectiva de quem conhece o aluno em casa, perde informação valiosa.

FAQ — Perguntas frequentes sobre PEI, PDI e PAEE

O PEI é obrigatório por lei?

Não existe uma lei federal que obrigue especificamente o PEI em todas as redes. O artigo 28 da LBI (Lei 13.146/2015) obriga planos individualizados, mas sem nomear o instrumento. O que é obrigatório por lei federal desde o Decreto 12.686/2025 é o PAEE, para os estudantes matriculados no AEE. Para o PEI, a obrigatoriedade depende da rede estadual ou municipal — verifique com sua secretaria de educação.

PDI e PEI são a mesma coisa?

Na maioria das redes, sim — são nomes diferentes para o mesmo instrumento. Algumas redes fazem uma distinção: PDI com foco mais amplo no desenvolvimento integral e PEI com foco na aprendizagem curricular. Mas essa diferença não é padronizada em lei. O que importa é que a escola tenha um documento, seja qual for o nome, que oriente o trabalho pedagógico individualizado na sala comum.

O PAEE substituiu o Plano de AEE?

Sim, funcionalmente. O Plano de AEE era o documento que os professores de AEE já elaboravam antes — o PAEE é a versão formalizada e obrigatória instituída pelo Decreto 12.686/2025. A principal diferença é que agora há uma estrutura legal clara, com Estudo de Caso obrigatório, participação familiar garantida e integração ao PPP da escola.

Um estudante sem diagnóstico pode ter PEI ou PDI?

Sim. O PEI/PDI pode ser elaborado para qualquer estudante que apresente necessidades educacionais especiais — com ou sem diagnóstico formal. O diagnóstico não é pré-requisito para o planejamento pedagógico individualizado. O que o diagnóstico garante é o acesso ao AEE e, portanto, ao PAEE.

Quem deve coordenar a elaboração de todos esses documentos?

A coordenação pedagógica ou a equipe gestora da escola é responsável por garantir que os documentos sejam elaborados, que haja diálogo entre os professores envolvidos e que os planos sejam atualizados. O Decreto 12.686/2025 também prevê a figura do profissional de apoio especializado nessa articulação.

Conclusão

PEI, PDI e PAEE não são concorrentes. São instrumentos complementares que atuam em contextos diferentes — e precisam dialogar para que a inclusão aconteça de verdade.

O PAEE é o documento legal, obrigatório desde o Decreto 12.686/2025, que pertence ao AEE e trabalha para eliminar barreiras. O PEI e o PDI pertencem à sala de aula comum e organizam as adaptações curriculares e pedagógicas. Juntos, eles formam a estrutura documental do suporte ao estudante neurodivergente.

A confusão de nomes vai continuar existindo enquanto não houver uma regulamentação federal única para PEI e PDI. Mas o que você pode controlar é a qualidade do que elabora — e para isso, partir de modelos tecnicamente embasados faz toda a diferença.

Se a sua rede usa PEI, PDI ou os dois, o Pertença (pertenca.com?utm_source=blog&utm_medium=post&utm_campaign=pei-pdi-paee) tem templates prontos e adaptados por região para te ajudar a montar documentos completos, dentro da legislação, sem começar do zero. E se você quiser ir além dos templates, o PDI Descomplicado + Pertença (mundocolmeia.com?utm_source=blog&utm_medium=post&utm_campaign=pei-pdi-paee) é o curso + acesso à plataforma que ensina a elaborar e usar esses documentos na prática — por R$297.

Inclusão de verdade começa com planejamento. E planejamento começa com o documento certo.

Equipe MC | Mundo Colmeia — Plataforma de educação digital para o ecossistema neurodivergente brasileiro.

Links e referências

  • Decreto 12.686/2025 — Planalto (www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2023-2026/2025/decreto/d12686.htm)
  • Plano de AEE, PEI ou PDI? — Diversa (diversa.org.br/noticias/plano-de-aee-pei-ou-pdi-entenda-a-diferenca-entre-eles/)
  • Política Nacional de Educação Especial Inclusiva — MEC (www.gov.br/mec/pt-br/assuntos/noticias/2025/outubro/governo-institui-a-politica-nacional-de-educacao-especial-inclusiva)
  • Lei 13.146/2015 — Lei Brasileira de Inclusão (www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13146.htm)
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